O que é a felicidade?
É saber viver e sentir as pequenas coisas da vida.
Aquelas a que pouca gente presta atenção...
Como uma gotícula de água, depositada numa pétala de uma flor...
Ou um chilreio de pássaro, numa tarde quente de Verão...
Ou ainda, um saboroso momento de silêncio, no meio da multidão agitada...
O que é a felicidade?
São os pequenos gestos e detalhes, que a vida nos oferece todos os dias!
Às vezes
Não é preciso dizer nada...
Os olhares cúmplices
E as mãos entrelaçadas
Dizem tanto
Tanto...
Que as bocas
Permanecem caladas
Para que não se gastem
Os verbos importantes
Que mais tarde
Poderão fazer falta
Noutras conversas
Noutros instantes
Onde o silêncio
Por si só
Não bastará
Para dizer
A verdade
Do sentimento
Que se esconde
Envergonhado...
Senti um calafrio. Uma espécie de arrepio, que me percorreu a espinha, desde o pescoço, até ao sítio onde se acaba o tronco e as pernas se engancham... Parecia um vulcão, expelindo em fúria, as entranhas da terra...!
Durou apenas alguns segundos, mas a intensidade foi tão forte, que me agarrei aos ferros da cama, para que não me arrastasse na corrente...
Depois... calmamente... abracei o meu parceiro e olha-mo-nos em silêncio,deixando as palavras de lado, talvez por não serem precisas naquele momento. Adormeci e entrei no mundo dos sonhos, onde me aguardavam já, as imagens que o meu inconsciente escolheu, para me povoarem de ilusões o resto da noite, que já de si... ia tão longa!...
Hoje não te vou falar das minhas angústias... nem da solidão que sinto dia após dia... noite após noite...
Também não te vou falar das lágrimas que me rolam pela face abaixo, sem nada poder fazer, para as deter...
Também não te vou falar das minhas noites sem dormir... nem das recordações, as boas... que me assolam a mente e me povoam o pensamento a todo o instante...
Nem sequer te vou falar, da saudade que me corrói a alma e me consome a lucidez a ponto de não saber qual o limite entre a loucura e a sanidade...
Mas vou-te falar de uma coisa que talvez ainda não saibas e que eu sei. Assim como também sei que te é indiferente!
Vou-te falar da beleza e da grandeza das coisas mais simples da vida. Como um simples chilrear de um pássaro, feliz pela chegada do amanhecer...
Ou o som do borbulhar de um regato, que corre livre pelo caminho que lhe traçou o seu destino...
Ou ainda... o rir de uma criança, contente pela descoberta de algo que a fez feliz, ali, naquele instante...
É... são coisas simples, que nada te dizem, mas que fazem toda a diferença entre o ser e o parecer.
O ser que sente... e o ser que finge sentir!
O ser indiferente... e o ser que marca pela diferença!
Saberás tu porventura, o que um coração sente, quando se torna indiferente, ao ser que o tomou pelo encanto, um dia?
Talvez não saibas... talvez nem nunca o venhas a saber...
Cheguei ao cimo da falésia, abeirei-me do precipício que se despenhava até ao mar e contemplei o horizonte que se estendia até ao ponto onde os meus olhos não podiam mais alcançar...
Fixei o olhar nesse ponto e uma brecha se abriu, deixando um portal aberto para o infinito, que existe no limite do real...
Entrei por ele adentro, sem hesitar... não senti medo!
Vi estranhos seres que se moviam à minha volta, numa espécie de ritual de tribo, perdida no meio da floresta, algures num mundo irreal...
Ignoravam a minha presença. Talvez não me vissem... talvez fosse invisível, naquele mundo onde eu não pertencia...
Não sei por quanto tempo estive ausente...
Abri os olhos.
O horizonte permanecia igual. A brecha que eu vira, desaparecera.
E o meu mundo... era este, afinal!...
A cortina fechou-se
O espectáculo terminou
Os aplausos ecoam na sala
No fim do último acto...
Escondo-me no meu camarim
Onde só as paredes são testemunhas
Das minhas lágrimas que rolam
Ao longo da face ainda pintada...
Lanço um último olhar
Antes da despedida
Sobre a plateia
Agora deserta...
Aquele palco onde pisei
Onde fui estrela
Onde sonhei...
Onde ri e chorei
Era afinal
A minha vida!...
Selvagem é a fera
Que habita no meu interior
Esfomeada...
Ataca a presa
Que
Incauta
Se deixa seduzir...
Maravilhoso é o banquete
Onde ambos se devoram
Já não é só uma
São duas agora...
Duas feras esganadas
Saciando-se de prazer Na alcova da luxúria...
O sol já tinha descido
Serenamente
E quedou-se na linha do horizonte
Que se estendia ali mesmo
À nossa frente
E nós... a sós...
Distraídos que estávamos
Nem demos pela sua partida...
Só quando os seus raios enfraquecidos
Nos beijaram a pele ainda nua
Sentimos que se despedia
Num último sopro de vida
Daquele final de dia...
Abraçados
Mão na mão
Pensamento vago
Ali ficamos...
Olhamos o horizonte vermelho
E fomos ambos banhados
Por uma onda de magia...
Um bem estar
Um querer de não acabar
Um momento único
Daqueles que acontecem
Poucas vezes na vida...
Medusa
31/08/2007
Nasceu a manhã
Agita-se a ilha
Tanta emoção
Chegou mais um dia
Quatro palmos de terra
Cobrem estes rochedos
Sete ventos de encanto
Guardam mil segredos
Tantas são as histórias
De lendas, de aventura
Em noites de temporal
Contadas por gente pura
Gente de poucas palavras
Mas de muita convicção
Que vive cada momento
Com sincera emoção
Viro costas ao mundo
Porque o mundo
É grande demais
E não o consigo
Agarrar...
Viro costas ao mundo
Escondo-me
No meu castelo de ar
E deixo-me lá ficar...
Isolei-me
Fechei-me
Tranquei-me por dentro
E atirei a chave
Ao mar...
Poderá a tua luz algum dia
Ser o reflexo dessa tua vida
Que se fecha sem sentido
Dentro de paredes frágeis
... como o vidro...
Poderá ela algum dia
Ser o teu guia?
Como é triste esse teu fado
De pássaro engaiolado
Numa redoma de vidro
Com asas presas
Que só de olhar...
Dá pena de ver!
Do tanto que queres voar
Sobram-te apenas as penas
Das asas prendidas
Ao teu sonho
Sem que o possas viver
Só na tua imensa tristeza
De nele permanecer
E não te poderes libertar...
Do ser ao parecer
Vai um pulinho de um passarinho
Que não consegue voar...
Ferido de morte
No seu pequeno ninho...
Os olhos
espelho da alma
espelho do outro
união de todas as cores
falam calados.
São os últimos a serem gerados
são os últimos a morrerem.
Os olhos
são espelho da alma.
são gestores do corpo
são a primeira fonte de informação
o primeiro alimento.
Os olhos.
Uns têm,
outros não...
Esse tempo estreito
Que não te a deixa abraçar
Como deveria ser
Terás de encontrar um jeito
Desse tempo alargar
E naqueles olhos verdes de mar
Te poderes envolver
E nos teus braços a tomar
Estreitando-a por inteiro
No teu enorme desejo de querer
O tempo alargar...
Não
Não vás ainda...
Tu sabes que te quero
Tu sabes que te venero
Tu sabes que te espero...
Não
Não vás ainda... não vás...
Tu sabes que a tua ida
Me entristece
Do tanto que te quero
E do pouco que me dás...
Fica
Só mais um bocadinho
Dá-me um pouco desse teu carinho
Do tanto que tens
Só te peço um pouquinho...
Este blog é apenas uma cópia do seu original, que mora num outro espaço virtual sob o nome de ECOS. Senti necessidade de criar este clone, por lhe ter um carinho muito especial, pois foi com ele e por ele, que experimentei o gosto pela escrita... e por não o sentir seguro no servidor em que se encontra alojado. No fundo, apenas porque não o queria perder... Este blog não permite comentários... acaso me queiram dizer algo, podem fazê-lo por email medusalinda@gmail.com