Cheguei ao cimo da falésia, abeirei-me do precipício que se despenhava até ao mar e contemplei o horizonte que se estendia até ao ponto onde os meus olhos não podiam mais alcançar...
Fixei o olhar nesse ponto e uma brecha se abriu, deixando um portal aberto para o infinito, que existe no limite do real...
Entrei por ele adentro, sem hesitar... não senti medo!
Vi estranhos seres que se moviam à minha volta, numa espécie de ritual de tribo, perdida no meio da floresta, algures num mundo irreal...
Ignoravam a minha presença. Talvez não me vissem... talvez fosse invisível, naquele mundo onde eu não pertencia...
Não sei por quanto tempo estive ausente...
Abri os olhos.
O horizonte permanecia igual. A brecha que eu vira, desaparecera.
E o meu mundo... era este, afinal!...
A cortina fechou-se
O espectáculo terminou
Os aplausos ecoam na sala
No fim do último acto...
Escondo-me no meu camarim
Onde só as paredes são testemunhas
Das minhas lágrimas que rolam
Ao longo da face ainda pintada...
Lanço um último olhar
Antes da despedida
Sobre a plateia
Agora deserta...
Aquele palco onde pisei
Onde fui estrela
Onde sonhei...
Onde ri e chorei
Era afinal
A minha vida!...
Selvagem é a fera
Que habita no meu interior
Esfomeada...
Ataca a presa
Que
Incauta
Se deixa seduzir...
Maravilhoso é o banquete
Onde ambos se devoram
Já não é só uma
São duas agora...
Duas feras esganadas
Saciando-se de prazer Na alcova da luxúria...
O sol já tinha descido
Serenamente
E quedou-se na linha do horizonte
Que se estendia ali mesmo
À nossa frente
E nós... a sós...
Distraídos que estávamos
Nem demos pela sua partida...
Só quando os seus raios enfraquecidos
Nos beijaram a pele ainda nua
Sentimos que se despedia
Num último sopro de vida
Daquele final de dia...
Abraçados
Mão na mão
Pensamento vago
Ali ficamos...
Olhamos o horizonte vermelho
E fomos ambos banhados
Por uma onda de magia...
Um bem estar
Um querer de não acabar
Um momento único
Daqueles que acontecem
Poucas vezes na vida...
Medusa
31/08/2007
Nasceu a manhã
Agita-se a ilha
Tanta emoção
Chegou mais um dia
Quatro palmos de terra
Cobrem estes rochedos
Sete ventos de encanto
Guardam mil segredos
Tantas são as histórias
De lendas, de aventura
Em noites de temporal
Contadas por gente pura
Gente de poucas palavras
Mas de muita convicção
Que vive cada momento
Com sincera emoção
Este blog é apenas uma cópia do seu original, que mora num outro espaço virtual sob o nome de ECOS. Senti necessidade de criar este clone, por lhe ter um carinho muito especial, pois foi com ele e por ele, que experimentei o gosto pela escrita... e por não o sentir seguro no servidor em que se encontra alojado. No fundo, apenas porque não o queria perder... Este blog não permite comentários... acaso me queiram dizer algo, podem fazê-lo por email medusalinda@gmail.com